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A arte de vender mais: por que o timing das suas coleções de moda faz toda a diferença

  • Foto do escritor: Paulo Fialho
    Paulo Fialho
  • 23 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Lançar uma coleção não é apenas uma questão de criatividade; é, sobretudo, uma questão de estratégia. Um dos maiores desafios enfrentados por marcas, especialmente as de pequeno e médio porte, é a falta de planejamento adequado para alinhar seus lançamentos ao momento certo de compra do consumidor. Quando o timing falha, os impactos são imediatos: excesso de estoque, vendas abaixo do esperado, perda de relevância e dificuldades para competir com marcas mais organizadas.



Esse problema geralmente se manifesta de diversas formas: coleções que chegam fora de época, produção desorganizada, desconhecimento do calendário sazonal do varejo, decisões baseadas em achismos e relações frágeis com fornecedores. Tudo isso compromete não só o desempenho comercial da marca, mas também sua imagem e sua capacidade de fidelizar o cliente.

Neste artigo, Paulo Fialho, estrategista de produto, branding e gestão de equipes multidisciplinares atuando em empresas como C&A, Calvin Klein Jeans, Ellus e Lojas Renner vai nos mostrar por que o timing faz toda a diferença e como um planejamento estruturado, mesmo em uma operação enxuta, pode transformar resultados, garantir entregas consistentes e posicionar sua marca com mais profissionalismo e competitividade no mercado.


No universo da moda, o timing não é obra do acaso. Muito pelo contrário, ele nasce de uma estratégia bem estruturada, capaz de transformar simples ideias em coleções de sucesso que chegam no momento exato em que o consumidor está pronto para comprar. Planejar seus lançamentos e alinhar todas as etapas do processo produtivo pode parecer complexo, mas é um dos fatores que mais impactam o resultado das vendas. Tudo começa com um planejamento anual bem definido. É essencial que você escolha quantas coleções deseja lançar ao longo do ano, seja seguindo o tradicional calendário de quatro estações, Primavera/Verão e Outono/Inverno, ou incorporando as variações que incluem Alto Verão e Alto Inverno. Ao determinar esse ritmo, você cria uma cadência consistente que mantém sua marca sempre relevante e presente na mente do consumidor.


Depois de escolher o número de coleções, é hora de fazer uma pesquisa real e dedicada para entender quando seus principais concorrentes realizam as viradas de coleção. Grandes marcas do varejo brasileiro, como Lojas Renner, C&A, Riachuelo e Hering, têm por prática iniciar a virada de Inverno no mês de março. Cada uma delas possui datas específicas que variam conforme as necessidades do calendário interno, os cronogramas de produção e também sua posição de liderança no mercado com a apresentação das novidades da estação. Ainda assim, todas operam dentro do mesmo período estratégico, Março, por ser o momento em que o consumidor já começa a se preparar para os meses mais frios. Vale destacar que este exemplo ilustra como as grandes varejistas se norteiam e servem de referência para todo o setor, mas essa realidade pode ser totalmente adaptada para pequenas marcas e empresas.


Na prática, muitas marcas menores já se organizam de forma semelhante no Brasil, ajustando prazos e quantidades conforme seu porte e capacidade de produção. Pense, por exemplo, em uma marca pequena que decide trabalhar com apenas dois lançamentos por ano, um no Inverno e outro no Verão; cada um em formato de coleção cápsula, com um mix bem enxuto de duas peças principais, como uma camiseta especial e um moletom com estampa exclusiva. Mesmo nesse modelo mais compacto, o mindset profissional é o mesmo: definir com clareza a data em que essas peças precisam estar prontas e disponíveis, trabalhar com um cronograma reverso adequado ao volume reduzido e planejar cada etapa; da pesquisa ao frete; com o máximo de organização. O calendário pode ter prazos mais curtos em cada fase e volumes menores na produção, mas o compromisso com o timing e a consistência da entrega continuam sendo indispensáveis para fortalecer a marca e conquistar credibilidade com o cliente.


Com essas datas macro definidas, o próximo passo é construir o seu planejamento reverso, ou seja, trabalhar de trás para frente. Esse método garante que todas as etapas sejam cumpridas dentro dos prazos certos, evitando atrasos que podem prejudicar a chegada da sua coleção no mercado. Imagine que você pretende ter seus produtos disponíveis na loja no início de março, acompanhando o movimento de virada de Inverno das grandes varejistas. Para isso, a produção deve começar no mínimo até o final de dezembro ou início de janeiro, considerando um prazo médio de seis a oito semanas para fabricação. Antes dessa etapa, você vai precisar reservar de duas a quatro semanas para o desenvolvimento e aprovação das amostras-piloto e de duas a três semanas para criar artes, definir estampas, aprovar aviamentos e produzir etiquetas. Também é essencial planejar o transporte e o controle de qualidade, que podem consumir de duas a seis semanas adicionais, dependendo do modal logístico e da distância até o destino final. Para que tudo funcione com fluidez, a pesquisa de tendências e definição de materiais precisa começar de quatro a cinco meses antes do lançamento; ou seja, entre setembro e outubro do ano anterior; garantindo que seu calendário se alinhe perfeitamente ao comportamento de compra do consumidor.


Esse processo de organização também deve considerar o calendário tradicional das estações do varejo brasileiro, que serve como referência para marcas de todos os portes. De forma geral, o Outono acontece de janeiro a março, sendo o período de transição das coleções de verão; o Inverno vai de março a junho, com lançamentos que começam em março e podem incluir um Alto Inverno em maio; a Primavera se estende de julho a setembro, quando aparecem as peças mais leves; e o Verão se consolida entre outubro e dezembro. Algumas marcas incluem ainda o Alto Verão com lançamentos especiais em janeiro, aproveitando o pico do calor. Mesmo que sua marca seja menor, trabalhar com esse calendário adaptado permite que você se organize com antecedência e ofereça produtos na época certa, mostrando profissionalismo e aumentando a competitividade. Nos quadros abaixo você pode visualizar como seria esse calendário:

Cronograma de produção Outono
Cronograma de moda Outono.
Cronograma de inverno para marcas de roupas
Cronograma de moda Inverno.
Cronograma de verão para marcas de moda
Cronograma de moda verão.

Cronograma de primavera para marcas de moda.
Cronograma de moda primavera.

acertar o timing não é apenas uma vantagem competitiva, é uma necessidade para qualquer marca que quer crescer de forma sustentável. Quando planejamento, dados, fornecedores e operação caminham juntos, o resultado é um produto que chega ao mercado na hora certa, encanta o consumidor e gera vendas constantes.



 
 
 

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